A obra, dirigida por Chloé Zhao, se aprofunda em uma tragédia por muito tempo não comentada da família do dramaturgo William Shakespeare, com a morte de seu único filho homem, que na época tinha apenas 11 anos de idade. O nome “Hamnet: A Vida Antes de Hamlet” sugere algo que não foi totalmente comprovado, que a perda do seu filho inspirou a peça do autor. O filme se baseia no romance da irlandesa Maggie O’Farrell e recebeu oito indicações ao Oscar, incluindo o de Melhor Figurino, onde as várias fases do luto são apresentadas.
Construção visual
Assinado pela designer Malgosia Turzanska, o figurino do filme, que se passa no século 16, evidencia o estilo de vida das pessoas da época. As cores são uma forte ferramenta para explorar o emocional dos personagens, que passam de mais vibrantes para mais ‘sujas’ e opacas; tons mais neutros também reforçam a desigualdade social e as dificuldades vividas neste período.
O filme traz os gêmeos Judith (Olivia Lynes) e Hamnet (Noah Jupe), com roupas inspiradas no trabalho do pintor Sebastiaen Vrancx. Segundo Turzanska, muitas pinturas de crianças desta época não tinham muito movimento e pertenciam a famílias de classe alta, o que dificultou o processo de desenvolvimento do figurino desses personagens. Veja o figurino de Frankenstein aqui!

“Eles estão caindo e rolando, e você vê várias camadas de roupa. Foi útil ver as roupas em movimento. Combinei isso com nossa pesquisa sobre trajes elisabetanos para criar as roupas das crianças. Abandonei os tecidos tradicionais para garantir que as roupas fossem um pouco mais leves e que permitissem que elas se movessem com facilidade”, conta a figurinista sobre as pinturas de Vrancx.
O figurino
Malgosia Turzanska acredita que os melhores filmes de época funcionam quando se concentram nos personagens e não limitam a liberdade criativa de quem trabalha neles por causa de fatos históricos, e é exatamente assim que ela produz as roupas desta cinebiografia.
Isso fica mais evidente se olharmos para o figurino de Agnes (Jessie Buckley), esposa de Shakespeare (Paul Mescal). A personagem é uma mulher que se conecta com a natureza e cuida dos filhos com o marido sempre longe. Apesar de tons acinzentados a sua volta, suas peças dão um contraste. Veja o figurino de Marty Supreme aqui!

“Vestimos Agnes com roupas de linho em tons vibrantes de vermelho e laranja, que foram se transformando gradualmente à medida que ela passava de esposa a mãe e, por fim, a alguém lidando com uma tragédia.”
O visual de Agnes é como uma montanha-russa, que vai ganhando manchas e perdendo aquela saturação conforme passa pelo luto, mas que no final do filme, as peças voltam a ganhar vida. Afinal, nem toda dor é para sempre. Isso também acontece com Shakespeare, mas com pequenos rasgos que vão se tornando cada vez mais agressivos.

A diretora Chloé Zhao e a figurinista Malgosia Turzanska trabalharam juntas para explorar o que levou Shakespeare a escrever ‘Hamlet’, que é facilmente uma das suas peças mais famosas. Tirando a sua esposa e filho do escuro e desvendando a complexidade de uma tragédia familiar como essa, o figurino teve o papel de se alinhar com os sentimentos de todos que viveram isso.
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