O estilista belga Anthony Vaccarello confirmou sua saída do comando da Saint Laurent na manhã desta sexta-feira (09/10), através de um vídeo no Instagram (@anthonyvaccarello) com a retrospectiva de seus dez anos na marca. Em um pronunciamento, o grupo Kering agradeceu o trabalho de Vaccarello e disse que irá anunciar em breve o nome que ocupará a direção criativa. Relembre como Anthony fez a maison francesa se tornar um dos maiores sucessos de venda e desejo na última década.
Respeito ao legado de Yves Saint Laurent e um novo frescor
Quando assumiu a direção criativa da Saint Laurent, Anthony teve a missão de entender o êxito que seu antecessor Hedi Slimane havia conquistado, principalmente entre os famosos e o público jovem. Suas coleções iniciais respeitaram a estética estabelecida anos antes e, gradativamente, evoluíram com uma mistura de sua identidade ostensiva e a reimaginação do acervo do fundador Yves Saint Laurent. O smoking feminino, um dos maiores marcos da moda no século passado, aparece de forma sofisticada; os ombros largos nas peças são um resgate dos anos 80, período em que o power dressing dominava e no qual Yves se consagrou na moda; vestidos bufantes e dramáticos também ressurgiram na etiqueta francesa pelas mãos de Vaccarello, trazendo bastante cor e glamour.




O trabalho do estilista belga levou a Saint Laurent a outro patamar, tornando-a a segunda marca mais rentável do grupo Kering, atrás apenas da Gucci. As vendas triplicaram sob a direção criativa de Vaccarello, chegando a mais de €3.3 bilhões no seu auge e com foco no sucesso de produtos como bolsas envelope, loafers e jaquetas bomber. Apesar do sucesso dessa estética sensual e dramática, a desaceleração do mercado de luxo nos últimos anos também atingiu a maison a partir de 2023; a receita caiu para €2.6 bilhões em 2025, mas voltou a crescer no primeiro semestre de 2026.




PFW SS27: o desfile que marcou uma comemoração e uma despedida
A queda nas vendas e o retorno tímido no lucro da Saint Laurent, além de algumas críticas de que o trabalho de Anthony Vaccarello estava soando repetitivo, acendeu rumores de sua saída. Quando chegou a Semana de Moda de Paris, as expectativas se entrelaçaram também ao fato de que o belga estava completando uma década na direção criativa da marca. No dia 29 de setembro, com a Torre Eiffel ao fundo e lustres dourados adornando o cenário, veio uma coleção “banhada à ouro”.




Diversas propostas de trench coat surgiram em tons predominantemente dourados, com detalhes do styling trazendo lenços coloridos e neutros. No decorrer do desfile apareceram conjuntos com saias e blusas, casacos e vestidos em que o bordado dourado reforça a opulência e sensualidade da Saint Laurent de Vaccarello. Até mesmo os acessórios e sapatos eram dourados, com destaque para brincos maximalistas que traziam ainda mais do luxo dramático para a coleção. Depois de dezenas de peças com grande variedade de tecido e modelagem – tudo em dourado – veio o que seria uma mensagem de despedida. Com as luzes da Torre Eiffel piscando ao fundo, as últimas dez modelos apresentaram looks pretos, sendo eles casacos tradicionais com um toque diferenciado nos laços e botões dourados, além de vestidos longos e esvoaçantes típicos do trabalho de Anthony.




Anthony Vaccarello ensinou como é possível respeitar os códigos de uma casa tão importante para a história da moda e alinhou isso ao espírito do tempo, mostrando que é possível trazer peças atemporais e ressignificá-las. A mulher que veste Saint Laurent é libertária, sensual e independente, e resta saber se a próxima pessoa na direção criativa da marca entenderá isso.