Nenhuma dúvida paira sobre minha cabeça ao afirmar que o début de Matthieu Blazy apresentando sua coleção de alta-costura da Chanel, nesta terça-feira (27), era um dos desfiles mais aguardados da temporada. Como de costume, o evento aconteceu no Grand Palais, em Paris, e antes mesmo de ser apresentado oficialmente, o trailer divulgado com animais animados que “ajudavam” na criação das peças já revelava o clima sonhador e delicado da coleção.
Entre a fantasia e o mundo real
Gabrielle Coco Chanel, apesar de tudo, segue sendo um forte símbolo de elegância e estilo para a moda feminina. Durante toda a sua jornada, ela disse frases como “antes de sair de casa, se olhe no espelho e sempre tire ao menos um acessório”, além de buscar vestir mulheres para as várias situações do dia a dia, criando designs finos e versáteis. É a partir desta ideia que Blazy dá vida a sua coleção.
O estilista se destaca por justamente fugir de um padrão já esperado durante a semana de alta-costura: peças que gritam “glamour!” e parecem ser criadas somente para determinadas ocasiões. Aqui, a Chanel Haute Couture de Matthieu Blazy é leve, bem trabalhada e deseja levar uma sensação de liberdade para as mulheres.

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A ambientação do desfile é divertida, com cogumelos gigantes entre os bancos que formam um caracol por onde as modelos iam e vinham, e o piso rosa claro dava um ar de neutralidade, mas sem perder o brilho. Veja a estreia de Jonathan Anderson na Dior aqui!
Talvez esse respiro também queira encontrar o estilista. A Chanel ficou sem um diretor criativo por um bom tempo, e quando Blazy foi anunciado para ocupar o cargo, a inquietação tomou conta. Alinhar os códigos da casa com suas próprias ideias e conceitos exige tempo, e ele sabe disso. “Fazer algo leve também me permite diminuir o drama”, disse o designer.
Sobre a coleção
Transparência, casting composto por mulheres de diferentes idades e etnias, looks que parecem ter saído de uma floresta encantada e movimento são coisas que definem o show de Matthieu Blazy. Os looks exalam uma suavidade inesperada, com o tailleurs clássicos da Chanel que deixam a pele mais visível, mas sem vulgaridade. Grita elegância, mas sem pomposidade, servindo para qualquer ocasião.


Devemos olhar com mais cuidado o trabalho manual desta coleção em particular, porque com peças tão finas, construindo leves camadas que dançam com o corpo, cada detalhe importa e não é algo fácil de ser feito. Com o passar do desfile, observamos bordados com pérolas, cristais, cogumelos e flores, equilibrando a ideia base do trailer com a proposta dos looks.


A modelo Bhavitha Mandava, noiva da Chanel nesta temporada, chegou na passarela sorridente em um conjunto branco que brilhava a cada passo. Mandava andou despreocupada e confortável, fechando o desfile com leveza. Veja a primeira coleção de Jaden Smith na Christian Louboutin aqui!


Matthieu Blazy não é contra a moda ofuscante e apresentações que tiram o fôlego, mas por que entregar algo que o público já espera? Por isso, o designer se aproxima da história da Maison e constrói algo novo, dedicado às mulheres que desejam a liberdade e o luxo que a Chanel não só pode oferecer, como já fez isso, há algumas eras.
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