Conheça Vagner Durade, jovem diretor criativo que expressa suas vivências em projetos para além do comercial

Conversamos com o mineiro multifacetado após sua participação no desfile de estreia da Vinnici, marca que tem conquistado o público underground

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Aos 22 anos, Vagner Durade encontrou na produção de moda um caminho para entrar em um mercado que, até então, parecia difícil de acessar. Natural do interior de Minas Gerais, ele viveu por dois anos e meio em Vitória, no Espírito Santo, onde cursou Produção de Moda e passou a criar as próprias oportunidades entre trabalhos como modelo, stylist e diretor criativo. Em setembro, Vagner esteve na direção criativa e organização geral do desfile da primeira coleção da Vinnici, marca de upcycling com propostas ousadas que já vestiu nomes como Anitta e Luísa Sonza. A experiência colocou seu repertório diante de um desafio comum à profissão: conciliar uma visão artística própria com as demandas comerciais da moda.

Coleção ORIGEM 01 da Vinnici – Foto: Reprodução @vinnici____

Redz: Quais foram as primeiras referências de moda na sua vida e quando você percebeu que queria trabalhar nesse mundo? Especificamente com direção criativa.

Desde novo eu tive acesso a revistas, assistia aos desfiles da Victoria’s Secret pela TV e ia com a minha mãe às lojas comprar roupas. Também procurava revistas como Vogue e Elle e via as capas e os editoriais, e tudo isso sempre me fascinou muito. Quando me mudei para o Espírito Santo, fui em busca de oportunidades para trabalhar como modelo, mas, no primeiro ano, não tive muito êxito. Entrei no curso de Produção de Moda para fazer contatos e me inserir nesse universo. Durante o curso, comecei a fazer muitos trabalhos e geralmente não estava só como modelo: fazia direção criativa, styling e outras funções. Foi também uma forma de criar minhas próprias oportunidades.

Redz: Você poderia explicar um pouco dos seus principais projetos atuando como diretor criativo? Falar de um especificamente que mais te marcou.

Algo que me marcou muito foi um desfile para um bazar beneficente chamado Mãos do Coração. Tudo começou com um trabalho para a conclusão do curso de produção de moda, com um vídeo que viralizou muito de forma não planejada, e acabei ficando próximo com uma das responsáveis pelo bazar, que me agradeceu muito. Com isso decidi organizar um desfile de forma totalmente voluntária e foi um sucesso em vendas e público, e ainda tive a oportunidade de desfilar e atuar como diretor criativo. 

Editorial THFSBZ do grupo Mãos do Coração – Foto: Reprodução @vagnerdurade_

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Redz: Em setembro aconteceu o desfile da primeira coleção da Vinnici, uma marca de upcycling com uma proposta marcante e que já vestiu famosos como Anitta, Luísa Sonza e Pocah. Poderia contar sua história com a marca e como você uniu o seu repertório como diretor criativo junto com a proposta da coleção?

Conheci o Vinícius em 2025 e, desde então, a gente trocava ideias. Eu sempre admirei a forma como ele trabalha com as peças e com o upcycling. Quando conheci a Central Jam, pensei: “Por que o Vinícius não expõe aqui?”. Entrei em contato com a organização e, durante esse processo, surgiu a ideia de fazer o desfile. Eu e o Vinícius ficamos juntos na direção criativa e montamos o moodboard da coleção. Como ele queria fazer algo mais comercial, no início tivemos um pouco de dificuldade para traduzir o que ele já fazia para essa proposta. Com o tempo, conseguimos dialogar melhor e criar peças que mantivessem o trabalho dele, mas que fossem mais comercializáveis.

Desfile Vinnici – Foto: Reprodução @vinnici____
Desfile Vinnici – Foto: Reprodução @vinnici____
Desfile Vinnici – Foto: Reprodução @vinnici____
Desfile Vinnici – Foto: Reprodução @vinnici____

Redz: Levando em consideração esse e outros trabalhos que você realizou, como você enxerga o papel de gênero na moda e como isso se encaixa nos seus projetos?

Eu sempre criei meus trabalhos em cima da androginia, e tem um projeto que fiz recentemente que se chama “Os Meninos”. É algo que eu sempre quis abordar, mas ainda não me sentia pronto para colocar esse trabalho no mundo. “Os Meninos” é, de todos os trabalhos que fiz até hoje, o que mais me enche de orgulho. É um trabalho muito íntimo e pessoal, que parte da minha história e de outros meninos que cresceram ouvindo coisas como “menino usa azul” ou que determinadas roupas e gestos não eram para eles. Fizemos um editorial e também um curta. Queria trazer coisas que eu vivi e que sei que outros jovens e crianças também vivem. É algo para além do profissional, uma coisa que eu sempre quis colocar para fora, para que outras pessoas possam se ver nesse lugar e se sentir abraçadas.

“Os Meninos” – Foto: Reprodução @vagnerdurade_
Moodboard do projeto – Foto: Arquivo pessoal

Redz: Quais são os maiores desafios trabalhando com direção criativa e como você os supera?

Um dos principais é a falta de verba. Às vezes não é nem para criar, mas para pagar as pessoas que colaboram ou chamar um profissional específico que eu gostaria de ter no projeto. Outra dificuldade é a comunicação. Eu tenho uma ideia e toda a equipe precisa entender exatamente o que quero passar. Se houver algum ruído ou dúvida, pode ser que o trabalho final não saia como estava na minha cabeça. Então, um dos desafios é conseguir traduzir essas ideias em imagens, vídeos e palavras de uma forma clara para todos.

Redz: A direção criativa surge como um trabalho baseado muito na visão artística de quem está ocupando essa cadeira. Para você, o cenário atual da moda está limitando o trabalho do diretor criativo por conta de uma visão de mercado mais polida?

Para muitos, acho que isso interfere bastante, porque todo mundo precisa receber, pagar as contas, e é preciso pensar em criar algo que possa vender e gerar renda. Até agora, meus trabalhos foram feitos de forma voluntária e não foram criados com o intuito de ganhar algo financeiramente. O desfile da Vinnici foi diferente porque o intuito era vender as peças, então tivemos que criar algo mais comercial. Eu sei que vão surgir trabalhos em que vou ter que me adequar ao que é pedido. Mas sempre estarei fazendo também trabalhos autorais, em que eu realmente possa mostrar o que quero. Se eles serão pagos e valorizados financeiramente, eu não sei, mas, independentemente disso, serão feitos.

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Matéria em colaboração com Laura Romero e Júlia Vianna