O estilo por trás da ambição em “Marty Supreme”

A obra estrelada por Timothée Chalamet traz elementos dos anos 1950 em peças estruturais feitas do zero

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O longa, dirigido por Josh Safdie, causou um belo agito no universo da moda fora das telas, seja pela coleção da marca de Tyler, The Creator, inspirada no filme, ou com a Marty Supreme Jacket, que viralizou durante a sua divulgação. A obra se passa em Nova York na década de 1950 acompanhando o protagonista Marty Mauser (Timothée Chalamet), cujas roupas são uma forte ferramenta para a construção da autoconfiança do personagem e a imagem que ele deseja passar para quem está à sua volta. Além da repercussão dentro da cultura pop, o filme foi indicado ao Oscar de Melhor Figurino, e aqui nós vamos nos aprofundar no peso que ele traz para a trama.

O desejo com cor e textura

A frase “fingir até se tornar real” define muito bem a maneira como a mente de Marty Mauser funciona. Ele é o típico personagem obcecado que busca fazer de tudo para conseguir o que quer, e isso inclui vestir a persona de alguém que já tem. 

Mauser carrega essa noção de que a moda comunica algo importante, então ele vai usá-la para se fundir à pessoa que deseja se tornar. A figurinista Miyako Bellizzi trabalhou para que os ombros mais marcados e as cores sólidas entregassem uma estrutura a mais no visual do personagem, elevando sua postura e traduzindo toda essa sua fome de virar um astro no esporte. Veja coleção de Tyler, The Creator aqui!

Reprodução – Pinterest

Entre o bairro de Lower East Side e o Upper East Side, o figurino possui um verdadeiro contraste. Em entrevista à Vogue, Safdie nos conta: “Miyako achou que deveríamos fazer o Lower East Side parecer que estava preso ao passado, enquanto o Upper East Side seria a alta-costura novinha em folha, recém-saída das passarelas”. E assim já dá para entender de qual lado Mauser queria estar. 

Construção do figurino

Com uma equipe de 50 pessoas, os trajes foram inspirados em diversas figuras de poder dos anos 1950 e revelam essa face mais intensa de Nova York, que caminhava do desejo à ganância. Veja o figurino de ‘Pecadores’ aqui!

As roupas de Marty Mauser eram feitas de uma forma diferente. Cada peça precisava aparentar ter sua própria história, sendo lavada várias vezes, tingida e sofrendo alguns desgastes de forma completamente proposital para dar a impressão de que ele as usou durante anos. Apesar de terem sido confeccionadas do zero e nunca utilizada antes, isso não podia ser passado para quem assistir.

Reprodução – Pinterest
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Isso muda completamente com Kay Stone (Gwyneth Paltrow), que teve seus looks inspirados em Balenciaga, Dior e o estilo marcante de Grace Kelly. Ela já pertencia, naturalmente, ao mundo que Mauser tanto queria, então não precisava ‘se esforçar’ para vestir roupas que se aproximasse de um desejo. Além da paleta de cores acompanhar o emocional da personagem, aqui os looks tem mais glamour e sofisticação.

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Um personagem veste alfaiataria como se fosse uma máscara, e o outro esbanja elegância só com o olhar, mas a Rachel Mizler (Odessa A’zion) não tem tempo para isso. Com peças que visam funcionalidade, com recortes mais simples, seu figurino foi feito para mostrar uma mulher que prezava pela sobrevivência, e assim nós observamos várias histórias dentro de uma única obra, onde cada tecido nos ajuda a entender onde cada um dos personagens querem chegar.

Reprodução – Pinterest
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